III - Sociedade

Noétrico

E vejo a assembleia dos homens,
seus rostos pintados
com argila de mentiras
e vozes de papel;
etiquetas costuradas na pele.

Todos dançando
a coreografia das vitrines
Eles me nomeiam por mil marcas,
negam a carne, esculpem o vazio,
fingem abismos com sorriso de catálogo.

A solidão grita por dentro do espelho:
“Onde, em meio a máscaras,
repousa a face verdadeira?”

À beira do mundo,
há multidões lacradas,
cada consciência mais exilada na multidão
do que no próprio silêncio.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de fevereiro de 2026 08:38
  • Comentário do autor sobre o poema: A minha perspectiva sobre este poema fala do esforço de existir em meio a formas que nos antecedem. Busca lembrar que muitas vezes não há isolamento pelo silêncio, mas pelas versões que se vestem para permanecer entre os todos.
  • Categoria: Sociopolítico
  • Visualizações: 3
Comentários +

Comentários1

  • Carlos Hades

    gostei muito poeta, exprimiu um sentimento que abrigo também.

    • Noétrico

      Fico feliz com este contato de realidades... Obrigado Carlos.



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