Noétrico

III - Sociedade

E vejo a assembleia dos homens,
seus rostos pintados
com argila de mentiras
e vozes de papel;
etiquetas costuradas na pele.

Todos dançando
a coreografia das vitrines
Eles me nomeiam por mil marcas,
negam a carne, esculpem o vazio,
fingem abismos com sorriso de catálogo.

A solidão grita por dentro do espelho:
“Onde, em meio a máscaras,
repousa a face verdadeira?”

À beira do mundo,
há multidões lacradas,
cada consciência mais exilada na multidão
do que no próprio silêncio.