Temo expor meus sentimentos desesperançosos — os quais são imunes ao efeito puro da concretude que humanizaria demais meus reais sentidos — pois reconheço minha desconfiança em meus próprios pensamentos num tipo singular de lucidez que não deveria ser sustentada por muito tempo. A mente humana foi feita e habituada a permanecer consolidada na alternância entre esquecimento e atenção, como quem respira profundamente. Para alguns homens infortunados como eu, no entanto, inexiste a capacidade de interligar o ritmo e a cadência de seus próprios pensamentos. Estes mesmos homens não sobrevivem no convívio principal da natureza humana; ainda que perdurem, como ideias perdidas, flutuantes em uma vasta claridade, repleto de eternas memórias e poucas reminiscências. E como todo ser enjoado de razão que anseia pelo esquecimento ou a morte, são estas memórias que me enlaçam no interstício instável entre o cúmulo da consciência e o desvanecer.
-
Autor:
werner (
Offline) - Publicado: 22 de fevereiro de 2026 21:49
- Categoria: Triste
- Visualizações: 3

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.