werner

Razão ou Maldição?

Temo expor meus sentimentos desesperançosos — tão somente imunes ao impacto concreto — pois reconheço desconfiança em meus próprios pensamentos num tipo singular de lucidez que não deveria ser sustentada por muito tempo. A mente humana foi habituada a permanecer consolidada na alternância entre esquecimento e atenção, como quem respira profundamente. Para alguns homens infortunados como eu, no entanto, inexiste a capacidade de interligar o ritmo e a cadência de seus próprios pensamentos. Estes mesmos homens não sobrevivem no convívio principal da natureza humana; ainda que perdurem, como ideias perdidas, flutuantes em uma vasta claridade, repleto de eternas memórias e poucas reminiscências. E como todo ser enjoado de razão que anseia pelo esquecimento ou a morte, são estas memórias que me enlaçam no interstício instável entre o cúmulo da consciência e o desvanecer. E sei que minha mente terá de ser sepultada, em breve, em seu próprio excesso.