No vazio transitaram séculos,
a órbita dos astros
sorve silêncios ancestrais.
Sou poeira entre galáxias famintas,
pálido grão na garganta do infinito.
O cosmo se verte em câmara escura:
não há resposta à suspensão do tempo,
só um eco gelado habitando
a garganta dos deuses dormentes.
A cada passo
o vazio se faz berço,
na quimera entre o que falta
e o que não pode ser.
O ser,
lapso incerto
no fulgor do nada.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 22 de fevereiro de 2026 11:56
- Comentário do autor sobre o poema: Para mim, este poema é sobre aceitar o meu próprio tamanho diante de um universo que não oferece respostas. Ele nasce do esforço de olhar para o vazio sem medo e entender que existir é apenas acontecer por um tempo. Mesmo sem garantia de sentido, a nossa breve passagem ainda tem o valor que imputamos a ela.
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 2

Offline)
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