Noétrico

II - Cosmos

No vazio transitaram séculos,
a órbita dos astros
sorve silêncios ancestrais.

Sou poeira entre galáxias famintas,
pálido grão na garganta do infinito.

O cosmo se verte em câmara escura:
não há resposta à suspensão do tempo,
só um eco gelado habitando
a garganta dos deuses dormentes.

A cada passo
o vazio se faz berço,
na quimera entre o que falta
e o que não pode ser.

O ser,
lapso incerto
no fulgor do nada.