Da lama erguem-se nervuras,
a carne apodrece na brancura do tempo.
Sementes ácidas atravessam os ossos –
cada célula, um relicário de despojos,
alquimia de sal,
limo e sangue,
no alpendre do mundo.
São pétalas pútridas,
caídas do ventre da terra;
dedos carcomidos de outrora tateando,
no escuro,
a genealogia da ruína.
A pele – este sudário que lentamente se desfaz –
brinca de ser limítrofe,
fronteira entre a febre que devora
e o abismo quieto que tudo recebe.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 21 de fevereiro de 2026 13:30
- Comentário do autor sobre o poema: Do nascer até morte, um curto pensamento sobre nossa matéria e sua fragilidade, começamos a morrer no dia que nascemos e todos os dias morremos um pouco.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3

Offline)
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