Noétrico

I - Corpo

Da lama erguem-se nervuras,
a carne apodrece na brancura do tempo.

Sementes ácidas atravessam os ossos –
cada célula, um relicário de despojos,
alquimia de sal,
limo e sangue,
no alpendre do mundo.

São pétalas pútridas,
caídas do ventre da terra;
dedos carcomidos de outrora tateando,
no escuro,
a genealogia da ruína.

A pele – este sudário que lentamente se desfaz –
brinca de ser limítrofe,
fronteira entre a febre que devora
e o abismo quieto que tudo recebe.