Da lama erguem-se nervuras,
a carne apodrece na brancura do tempo.
Sementes ácidas atravessam os ossos –
cada célula, um relicário de despojos,
alquimia de sal,
limo e sangue,
no alpendre do mundo.
São pétalas pútridas,
caídas do ventre da terra;
dedos carcomidos de outrora tateando,
no escuro,
a genealogia da ruína.
A pele – este sudário que lentamente se desfaz –
brinca de ser limítrofe,
fronteira entre a febre que devora
e o abismo quieto que tudo recebe.