SÚPLICA POÉTICA

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Supliquei a poesia que me concedesse

Um instante apenas de inspiração...

Num mergulho interior da minh’Alma

Quis desvendar sentimentos noviços

Sem invadir os sonhos enlanguescidos!

 

 

Trêmula de nostálgica inquietação...

Pus-me a imaginar-te frente a mim

Como uma miragem espectral...

Trazendo no semblante a calmaria

No olhar o sereno das madrugadas

Que enfeitiçam as noites acordadas.

 

Minha voz calou... retardando o ocaso

Silenciei no âmago desprotegido e frágil

Qualquer possibilidade de descoberta...

Que eleve a minh’alma desventurada...

No desvario febril das lamentações!...

 

Onde estás, marinheiro dos mares calmos?

Que navegas meu sonho em tempestade...

Arrastando contigo a minha liberdade

De sonhar-te em terra compassiva

De querer-te em torres altas e fortes

De amar-te em castelos de poemas!

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de fevereiro de 2026 20:11
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise sobre este poema: O "mergulho interior" para desvendar "sentimentos noviços" mostra que a escrita é, para você, uma ferramenta de descoberta. Você busca o novo, mas com o cuidado de não perturbar os "sonhos enlanguescidos" (as memórias já consolidadas). A figura amada aparece como uma "miragem espectral". Ela não é física, mas uma construção da mente que traz "calmaria" e "sereno". Isso reforça o tom de idealização romântica, onde o ser amado é mais uma presença espiritual do que carnal. Na terceira estrofe, o eu lírico se retrai. O "silenciar no âmago desprotegido" sugere um medo de que a descoberta da verdade traga mais dor ("desvario febril das lamentações"). É o momento em que a alma se sente pequena diante da imensidão do que sente. O fechamento introduz o "marinheiro dos mares calmos" que, paradoxalmente, navega um "sonho em tempestade". Há um contraste poderoso aqui: o outro é a paz (mar calmo), mas a presença dele em seus pensamentos causa o caos (tempestade). A conclusão revela onde esse amor realmente reside: não na terra, nem em torres físicas, mas em "castelos de poemas". Isso sugere que a poesia é o único lugar seguro o suficiente para abrigar um sentimento tão vasto e, por vezes, impossível. É um texto que equilibra a fragilidade da alma com a força da construção literária.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 16
  • Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino
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