"Estou fora do escritório, explorando novos horizontes. Voltarei em breve com novas ideias e energia renovada!"
O deserto agora tem a forma de uma mesa de carvalho. Entre os pratos vazios e os farelos de pão, estende-se uma distância que nenhuma frase seria capaz de atravessar. O café, antes fumegante, agora é apenas uma mancha estática no fundo da cerâmica, tão fria quanto o tópico que evitamos.
As palavras foram usadas até o fio da navalha perder o corte. Agora, o que resta é essa substância espessa, o silêncio, que se sentou entre nós como um convidado indesejado que não pretende ir embora. Não é o vazio da ausência, mas a densidade do que já foi dito e do que, por pudor, nunca será.
Olho para o movimento rítmico da sua respiração; você observa a poeira dançando no feixe de luz lateral. O relógio na parede parece ter ganhado volume; cada batida é um prego cravado na tampa de algo que já não respira. Não precisamos de despedidas dramáticas. O fim não veio com um estrondo, mas com o som metálico da colher batendo na borda da xícara, um código Morse que encerra a conta. Você se levanta, e o ruído da cadeira arrastando no piso é o único veredito possível. Terminamos de existir ali.
By Lunix.L
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Autor:
Lunix.L (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 20 de fevereiro de 2026 16:18
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 2

Offline)
Comentários1
Um bonito texto, poeta!
Abraços
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