Água Negra

Drica

 

No breu da madrugada
Eu chorei lágrimas escuras
Lágrimas de culpa, marcadas na alma
As gotas se foram com o rio
Chorei copiosamente
Sem repetir uma lágrima
Meu coração se desfez também em um dilúvio
Um mar negro em minhas pupilas

 

Eu quis beijar meu anjo
Meu anjo das Trevas
Meu amado, meu odiado
Meu senhor, meu protetor
Queria beijar suas mãos que me calaram
Elas me deixaram assim
Revoltada e magoada
Sedentas por seu amor
Depois de presenciar tanta violência e carência neste mundo
Eu quero um pouco do seu dúbio amor, meu criador.

  • Autor: Drica (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de fevereiro de 2026 23:19
  • Comentário do autor sobre o poema: Vampiros
  • Categoria: Gótico
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos
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Comentários1

  • Versos Discretos

    Seu poema constrói uma atmosfera densa e visceral, onde a dor se transforma em imagem líquida e quase palpável. A dualidade entre amor e trevas é trabalhada com intensidade simbólica e maturidade emocional. Há uma força confessional que atravessa os versos e permanece ecoando após a última linha.



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