Drica

Água Negra

 

No breu da madrugada
Eu chorei lágrimas escuras
Lágrimas de culpa, marcadas na alma
As gotas se foram com o rio
Chorei copiosamente
Sem repetir uma lágrima
Meu coração se desfez também em um dilúvio
Um mar negro em minhas pupilas

 

Eu quis beijar meu anjo
Meu anjo das Trevas
Meu amado, meu odiado
Meu senhor, meu protetor
Queria beijar suas mãos que me calaram
Elas me deixaram assim
Revoltada e magoada
Sedentas por seu amor
Depois de presenciar tanta violência e carência neste mundo
Eu quero um pouco do seu dúbio amor, meu criador.