O Coração Aberto e o Olhar Claro

Jairo Cícero

 
 
 
Há no peito humano um chamado sutil, 
Que a dor do outro ecoa, tão forte, tão vil. 
É a compaixão que brota, um rio a correr, 
Que busca acalmar, que anseia acolher.
 
 
Estender a mão, o olhar a entender, 
A lágrima seca, o nó a doer. 
Um bálsamo leve para o que se desfaz, 
A chama que acende a mais pura das paz.
 
 
Mas há um espelho, por vezes nublado, 
Onde a própria verdade se encontra encoberta. 
É o autoengano que, astuto e calado, 
Distorce a intenção, a intenção que é incerta.
 
 
Será que no outro busco um refúgio? 
Ou na dor alheia, meu próprio artifício? 
Para não ver a sombra, o traço, o vestígio, 
De um medo profundo, de um velho suplício?
 
 
Compaixão verdadeira não foge de si, 
Nem usa o auxílio para não se sentir. 
Ela nasce de um solo limpo e real, 
Que aceita a sua própria luz e o seu mal.
 
 
É abraçar a dor, sim, de quem está perto, 
Mas com o próprio ser em terreno descoberto. 
Sem véus, sem desculpas, sem falsos enredos, 
A ver a si mesmo, seus íntimos segredos.
 
 
Que a força do amar seja pura, sem dolo, 
E o espelho da alma, sem mancha ou rótulo. 
Compaixão sem engano, um farol a guiar, 
Onde a verdade liberta para amar e doar.
 
 
 
  • Autor: Jairo Cícero (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de fevereiro de 2026 19:05
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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