Penso no menino.
No menino recolhido,
chorando baixo,
engolindo a própria chuva
porque homem não chora.
Penso na primeira música
cordas ainda duras,
dedos aprendendo o caminho
na esperança breve de ouvir:
“muito bem, meu filho”.
E o silêncio.
Sempre o silêncio
dedilhado junto.
Penso no rapaz,
no rapaz que queria ser palco,
queria ser horizonte,
queria que o próprio nome
ecoasse inteiro no mundo.
Ele afinava sonhos
antes de sair para o trabalho.
Mas o mundo marca o tempo
com relógios rígidos,
E ele aprendeu o ritmo
das contas vencendo,
dos dias iguais,
da pressa que não aplaude ninguém.
O violão ficou esperando.
Como quem espera visita
que nunca confirma chegada.
Penso que recebeste pouco.
Muito pouco.
E ainda assim,
do pouco fizeste casa,
do pouco fizeste riso,
do pouco fizeste abraço.
Do teu jeito
sempre do teu jeito
me amaste.
Hoje, quando lembro,
já não ouço apenas o silêncio.
Ouço o que estava escondido nele.
E sussurro,
como quem devolve a
música ao início:
Muito bem, meu pai.
Muito bem.
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Autor:
Viviane.93 (
Offline) - Publicado: 18 de fevereiro de 2026 15:49
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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