Se eu amar alguém
E esperar na volta um valor equivalente,
Que pese na mesma balança,
Não é amor
É contrato.
É negócio travestido de sentimento.
O amor verdadeiro, esse sim,
Habita nos gestos mudos,
Na proteção que o outro jamais notará,
No cuidado gratuito,
No afeto que não exige recibo.
E se o retorno vier torto,
Ou nem vier
Se vier desdém, indiferença, desprezo
Aí está a prova final:
Se o teu peito ainda pulsar por essa pessoa,
Mesmo ferido,
Mesmo ignorado,
Então mereces que o universo,
Num descuido qualquer,
Te devolva o amor que ofereces
Sem cálculo e sem vaidade.
Essa história bonita
De “valorizar-se”,
De “priorizar-se”,
Funciona bem nos vídeos de autoajuda,
Nos discursos higienizados
De influenciadores famintos por aplausos
De almas autocentradas.
Mas se, por um instante que seja,
Tiveres o privilégio de sentir o amor que não negocia,
O amor que não pede troco,
O amor que simplesmente é,
Então tua breve passagem por aqui
Já se justificou inteira.
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Autor:
Maicon Rigon (
Offline) - Publicado: 18 de fevereiro de 2026 08:00
- Categoria: Amor
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Gostei dessa contabilidade amorosa!
Abraços
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