Fogueira na Noite

MAISA NALAPE

Quando eu era pequena,

tu falavas comigo como mulher feita,

como se o meu coração

já soubesse o peso do mundo.

 

Sentavas-te na noite escura,

com a fogueira acesa,

e o fogo dançava nos teus olhos

como se guardasse segredos antigos.

 

Eu dizia:

“Sou apenas uma criança.”

Tu sorrias e respondias:

“Um dia vais lembrar-te de tudo,

como o fogo que nunca esquece a lenha.”

 

Falavas-me de caminhos,

de respeito pelos mais velhos,

mesmo quando erram,

porque o respeito é raiz

que sustenta a vida.

 

Na aldeia murmuravam,

não sabiam que me protegias

ao proibir-me outras mesas,

que me ensinavas disciplina

com mãos firmes e coração doce.

 

Ensinaste-me a cozinhar cedo,

a trabalhar no mato,

a ser forte antes do tempo —

e mesmo assim

fizeste da minha infância

um lugar feliz.

 

Hoje compreendo o que antes

não sabia explicar.

O fogo que acendias lá fora

arde agora dentro de mim.

 

Sou mãe.

Sou mulher.

 

Sou parte do teu ensinamento.

E quando a noite fica silenciosa,

ainda sinto a tua voz

a conversar comigo

à luz de uma fogueira eterna.

Saudades, minha avó. ?

  • Autor: MAISA NALAPE (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de fevereiro de 2026 03:48
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 0
  • Em coleções: Maisa Nalape.


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