YES
São pessoas que se cruzam
Pelas ruas não se olham
Não se tocam nem se falam
Só se calam...
São pessoas iguais a mim
Iguais a você também...
Que sonham com o impossível
Que tentam ser mais livre
Mas continuam a ser...
Apenas boas atrizes!
São pessoas de todo tipo
Raça, classes diferentes,
Umas moram em mansões
Em edifícios gigantes
Outras apenas se escondem
Em pequenos horizontes
Com a marca da solidão
Estampadas no coração!
São pessoas que passam
Umas pelas outras num vai
E vem que não tem fim...
Num diálogo quase mudo
No corre-corre da vida
Não tem tempo pra pensar
Se dividir e se entregar!
São pessoas que passam
Pela vida sem conhecer
O universo do outro...
Preso num mundo só seu
Do egoísmo que assusta
Muitas pessoas nem tentam
Ser mais gente e mais justa
Morre em anonimato...
Sem ter vivido ainda...
Sem ter nascido de novo
Sem ter sido apenas...
Gente de fato!
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Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 16 de fevereiro de 2026 19:24
- Comentário do autor sobre o poema: Breve análise sobre este poema: A primeira estrofe descreve o fenômeno moderno da "multidão solitária". As pessoas se cruzam fisicamente, mas o "calar-se" e o "não se olhar" criam abismos intransponíveis. Você nos iguala a todos sob a máscara de "boas atrizes", sugerindo que a vida social é uma encenação de normalidade enquanto o "impossível" é desejado em segredo. Você utiliza o espaço físico (mansões e edifícios gigantes vs. pequenos horizontes) para mostrar que, embora a classe social mude, a "marca da solidão" é o denominador comum. A solidão é democratizada; ela não escolhe endereço. O "corre-corre da vida" é apresentado como o vilão que impede a entrega. O "diálogo mudo" reforça a ideia de uma sociedade funcional, mas sem conexão. Você aponta que o egoísmo "assusta" porque cria mundos fechados, impedindo o conhecimento do "universo do outro". O desfecho é uma provocação filosófica. Para você, o nascimento biológico não basta. Morrer no anonimato não é sobre fama, mas sobre passar pela vida "sem ter vivido" a essência humana — que, segundo o poema, reside na justiça, na entrega e no novo nascimento espiritual ou emocional. É um poema sobre a desumanização causada pela pressa e pelo ego.
- Categoria: Não classificado
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Offline)
Comentários1
Belas palavras, Poetisa! Abraço poético!
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