Há lembranças que o tempo não alcança —
apenas aprende a contornar.
Lembro-me da alegria imensurável que me atravessava
todas as vezes em que te via passar;
uma alegria serena e, ao mesmo tempo, avassaladora,
dessas que chegam devagar
e, quando percebemos, já fizeram morada na alma.
Tua presença dobrava o meu mundo em silêncio.
Olhar-te de longe já era abrigo,
mas era no encontro dos nossos olhares
que o tempo parecia suspender a própria pressa,
como se o universo, por um breve instante,
respirasse conosco.
Ríamos de piadas sem graça —
e nelas havia uma felicidade quase infantil,
rara como as coisas que não se explicam.
Falávamos sobre o seu dia, sobre a vida,
e sem notar construíamos pequenos infinitos
dentro de conversas simples.
Hoje entendo:
há pessoas que se tornam eternas
mesmo quando a vida insiste em seguir adiante.
E embora os dias tenham aprendido a acontecer sem você,
existe uma parte de mim
onde aquela alegria ainda vive —
intacta, luminosa, intocável pelo tempo.
Porque algumas emoções não foram feitas para partir;
foram feitas para nos lembrar
que um dia soubemos, sem medo,
o que era ser profundamente felizes.
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Autor:
Luana Bueno (
Offline) - Publicado: 16 de fevereiro de 2026 02:56
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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