Luana Bueno

A Alegria Que Nunca Partiu

Há lembranças que o tempo não alcança —

apenas aprende a contornar.

 

Lembro-me da alegria imensurável que me atravessava

todas as vezes em que te via passar;

uma alegria serena e, ao mesmo tempo, avassaladora,

dessas que chegam devagar

e, quando percebemos, já fizeram morada na alma.

 

Tua presença dobrava o meu mundo em silêncio.

Olhar-te de longe já era abrigo,

mas era no encontro dos nossos olhares

que o tempo parecia suspender a própria pressa,

como se o universo, por um breve instante,

respirasse conosco.

 

Ríamos de piadas sem graça —

e nelas havia uma felicidade quase infantil,

rara como as coisas que não se explicam.

Falávamos sobre o seu dia, sobre a vida,

e sem notar construíamos pequenos infinitos

dentro de conversas simples.

 

Hoje entendo:

há pessoas que se tornam eternas

mesmo quando a vida insiste em seguir adiante.

 

E embora os dias tenham aprendido a acontecer sem você,

existe uma parte de mim

onde aquela alegria ainda vive —

intacta, luminosa, intocável pelo tempo.

 

Porque algumas emoções não foram feitas para partir;

foram feitas para nos lembrar

que um dia soubemos, sem medo,

o que era ser profundamente felizes.