A vida não é simples,
é um mecanismo de estrelas respirando silêncio.
Entre átomos que aprenderam a dançar
e galáxias que se afastam sem se tocar,
surgiu este milagre improvável:
um coração que sente.
Somos matéria que ganhou memória,
poeira cósmica que decidiu amar.
Bilhões de combinações possíveis
e ainda assim,
aqui estamos.
A vida humana
é um fio de ouro estendido
sobre o abismo do nada.
Frágil como vidro soprado,
rara como água no deserto de planetas.
Cada consciência
é uma chama que só acontece uma vez.
Não há repetição.
Não há rascunho.
Há apenas esta pulsação irrepetível
chamada agora.
E o amor -
o amor é ainda mais improvável.
Entre tantas rotas cruzadas,
entre bilhões de vozes no mundo,
duas almas se reconhecem
como se lembrassem de algo
que nunca foi dito.
Amar é estatisticamente absurdo.
Cosmicamente improvável.
Espiritualmente inevitável.
É quando dois universos particulares
decidem expandir na mesma direção.
A complexidade da vida
não está no caos,
está na harmonia escondida
entre forças que poderiam se destruir,
mas escolhem coexistir.
Assim somos nós:
equilíbrio instável,
milagre consciente,
raridade ambulante.
E talvez o sentido não esteja em entender tudo,
mas em honrar o fato
de que, contra todas as probabilidades,
existimos,
e ainda somos capazes
de amar.
-
Autor:
Amanda S. Moraes (
Offline) - Publicado: 14 de fevereiro de 2026 05:04
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Yves de Sá

Offline)
Comentários1
Lindo e poético
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.