Amanda S. Moraes

Amor

A vida não é simples,

é um mecanismo de estrelas respirando silêncio.

Entre átomos que aprenderam a dançar

e galáxias que se afastam sem se tocar,

surgiu este milagre improvável:

um coração que sente.

Somos matéria que ganhou memória,

poeira cósmica que decidiu amar.

Bilhões de combinações possíveis 

e ainda assim,

aqui estamos.

A vida humana

é um fio de ouro estendido

sobre o abismo do nada.

Frágil como vidro soprado,

rara como água no deserto de planetas.

Cada consciência

é uma chama que só acontece uma vez.

Não há repetição.

Não há rascunho.

Há apenas esta pulsação irrepetível

chamada agora.

E o amor -

o amor é ainda mais improvável.

Entre tantas rotas cruzadas,

entre bilhões de vozes no mundo,

duas almas se reconhecem

como se lembrassem de algo

que nunca foi dito.

Amar é estatisticamente absurdo.

Cosmicamente improvável.

Espiritualmente inevitável.

É quando dois universos particulares

decidem expandir na mesma direção.

A complexidade da vida

não está no caos, 

está na harmonia escondida

entre forças que poderiam se destruir,

mas escolhem coexistir.

Assim somos nós:

equilíbrio instável,

milagre consciente,

raridade ambulante.

E talvez o sentido não esteja em entender tudo,

mas em honrar o fato

de que, contra todas as probabilidades,

existimos,

e ainda somos capazes

de amar.