Deus mora nas coisas que os olhos não alcançam.
Ele se esconde no intervalo entre um suspiro e outro,
na pausa do choro que ninguém ouviu,
no silêncio que fica depois que a porta se fecha
e a alma permanece sozinha consigo.
Há dores que não aparecem nos exames.
Há doenças que os médicos aprendem a chamar de incuráveis
porque não cabem nos remédios
nem nas palavras técnicas que tentam organizar o caos.
E há também aquela sombra mansa
que vai ocupando os cômodos da alma
apagando as luzes uma por uma.
Chamam de depressão.
Mas eu penso que é uma noite comprida
que chega antes da hora
e faz o coração esquecer
como era o desenho do sol.
Nessas horas, Deus não grita.
Ele não rasga o céu com trovões.
Ele fica pequeno.
Tão pequeno quanto uma brisa
que toca o rosto de quem já não tem forças para orar.
Tudo que meus olhos não enxergam
talvez seja justamente onde Ele mais trabalha.
No escuro da terra, a semente parece morta.
Mas é ali, longe da vista,
que o milagre aprende a respirar.
Quando o corpo dói,
quando o diagnóstico parece sentença,
quando o travesseiro conhece segredos salgados,
Deus se faz silêncio.
E o silêncio, às vezes, é o colo que não vemos.
A fé não é um sorriso constante.
É uma vela acesa dentro do peito
mesmo quando o vento sopra forte.
Pequena.
Tremendo.
Mas acesa.
Tudo que meus olhos não enxergam
é o cuidado invisível
que me sustenta quando não sinto chão.
É a mão que não vejo
segurando a minha
quando a alma se torna noite.
E se a escuridão insiste,
talvez seja porque o amanhecer
ainda está sendo tecido.
Deus trabalha no invisível.
E no invisível, meu caro
há vida germinando
mesmo quando tudo parece silêncio.
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Autor:
Brunna Keila (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de fevereiro de 2026 23:24
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 1

Offline)
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