Amar
não é fusão.
É sustentar a lucidez
quando o desejo pede atalho.
Ver o outro
inteiro,
não útil.
Não dobrar o mundo alheio
para aliviar o próprio peso.
Não capturar presenças
para tampar vazios.
Amar é conter a mão
quando seria fácil puxar.
É não distorcer o real
para dormir melhor.
Dói.
Porque exige clareza
onde muitos escolhem conforto.
É raro.
Porque pede maturidade
quando o instinto implora controle.
Amar, assim,
é permanecer inteiro
sem saquear ninguém.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 11 de fevereiro de 2026 15:49
- Comentário do autor sobre o poema: O foco deste texto é retirar o amor do campo da carência e trazê-lo para o da responsabilidade. Não é interessante o amor como fusão, nem como anestesia do vazio. O ideal é amor como escolha lúcida: ver o outro como igual, como um par, não como extensão. Exige maturidade, pois poucos aceitam amar sem possuir.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2

Offline)
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