Amar
não é fusão.
É sustentar a lucidez
quando o desejo pede atalho.
Ver o outro
inteiro,
não útil.
Não dobrar o mundo alheio
para aliviar o próprio peso.
Não capturar presenças
para tampar vazios.
Amar é conter a mão
quando seria fácil puxar.
É não distorcer o real
para dormir melhor.
Dói.
Porque exige clareza
onde muitos escolhem conforto.
É raro.
Porque pede maturidade
quando o instinto implora controle.
Amar, assim,
é permanecer inteiro
sem saquear ninguém.