Arquitetura do Silêncio

Lunix.L


Aviso de ausência de Lunix.L
"Estou fora do escritório, explorando novos horizontes. Voltarei em breve com novas ideias e energia renovada!"


Há cidades inteiras erguidas dentro de nós,
avenidas de pensamentos que nunca se cruzam,
praças onde o vento sopra segredos
que ninguém ousa decifrar.

O cansaço é um arquiteto paciente:
vai erguendo muros invisíveis,
paredes que abafam o som da própria voz,
até que o eco se torne morada.

E nessa arquitetura do silêncio,
quantos se perdem sem mapa,
quantos caminham sem bússola,
como viajantes que confundem o destino
com a própria ausência de caminho.

Mas até na "pedra" há frestas:
um vitral que respira luz,
um gesto que abre janelas,
um olhar que devolve horizonte.

Não é utopia sonhar com pontes,
com ruas que se encontram,
com palavras que se tornam abrigo.

É recordar que até o mais alto edifício
se sustenta em colunas partilhadas,
e que nenhuma cidade floresce
se cada casa insiste em ser ilha.

 

By Lunix.L

  • Autor: Lunix.L (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de fevereiro de 2026 20:40
  • Comentário do autor sobre o poema: Às vezes, o silêncio que construímos por dentro encontra eco no concreto que nos cerca por fora. Este poema e a música 'O Prédio' (Reo Lamos) não nasceram juntos, mas habitam o mesmo condomínio de ausências. Uma curadoria de sentidos sobre o que nos isola e o que nos sustenta.
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.