Há cidades inteiras erguidas dentro de nós,
avenidas de pensamentos que nunca se cruzam,
praças onde o vento sopra segredos
que ninguém ousa decifrar.
O cansaço é um arquiteto paciente:
vai erguendo muros invisíveis,
paredes que abafam o som da própria voz,
até que o eco se torne morada.
E nessa arquitetura do silêncio,
quantos se perdem sem mapa,
quantos caminham sem bússola,
como viajantes que confundem o destino
com a própria ausência de caminho.
Mas até na \"pedra\" há frestas:
um vitral que respira luz,
um gesto que abre janelas,
um olhar que devolve horizonte.
Não é utopia sonhar com pontes,
com ruas que se encontram,
com palavras que se tornam abrigo.
É recordar que até o mais alto edifício
se sustenta em colunas partilhadas,
e que nenhuma cidade floresce
se cada casa insiste em ser ilha.
By Lunix.L