A Guerra Invisível

luana bueno

? A guerra invisível

Há uma guerra silenciosa
morando dentro de mim.

Minha mente —
território dividido —
ergue dois mundos diante dos meus olhos
e insiste que eu escolha
qual deles é real.

Mas a verdade é que ambos doem.

E então me pergunto:
será ilusão da mente
ou apenas criamos histórias
para que o coração sangre menos?

As emoções não pedem licença,
não seguem lógica,
não aceitam tradução.

Elas simplesmente chegam —
e mudam tudo de lugar.

É assustador perceber
como alguém pode,
em um instante breve,
se tornar o centro do seu universo…

e depois
virar só um nome
perdido na memória do tempo.

Promessas que pareciam eternas
se dissolvem
até caberem na indiferença
de um pensamento qualquer.

O que antes era suspiro
hoje é espanto:

como coube tanto sentimento
em um coração
que agora parece tão quieto?

Carrego, às vezes,
a estranha sensação
de viver duas vidas dentro da mesma pele —
uma guiada pelo amor,
outra, pela razão.

E entre elas
existe um abismo.

Olho para dentro
e encontro um vazio vasto,
daqueles que fazem eco.

Talvez nascido
de uma única escolha —
porque há decisões
que duram mais que o tempo.

Impressiona-me
como um segundo
tem o poder de desmontar destinos.

Certezas envelhecem rápido;
dúvidas, não.
Essas caminham conosco,
de mãos dadas com os anos.

Imagino se, na serenidade da velhice,
meus pensamentos ainda voltarão aqui —
não para reescrever a história,
mas para sussurrar:

“e se?”

Há um tipo silencioso de tristeza
em assistir ao futuro
escapar pelos dedos.

Tentamos segurar,
insistimos no controle,
mas lá no fundo
uma voz serena repete:

não há retorno.

Você já atravessou oceanos demais
para se permitir naufragar
em águas de incerteza.

Mesmo que o amor ainda exista —
amor, às vezes,
não é sinônimo de destino.

Sentimentos são como marés:
avançam, recuam,
reaprendem a partir.

Mas a felicidade…
ah, a felicidade talvez seja outra coisa.

Talvez seja inteireza.
Talvez seja paz.
Talvez seja encontrar alguém
cuja alma reconheça a sua
sem esforço —
como duas luzes
que não competem,
apenas brilham juntas.

E assim sigo,
entre o que sinto
e o que sei.

Porque no fim,
a pergunta permanece,
eterna e humana:

até onde devemos lutar pelo amor —
e em que momento
precisamos escolher a razão?

  • Autor: luana bueno (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de fevereiro de 2026 15:51
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2
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