? A guerra invisível
Há uma guerra silenciosa
morando dentro de mim.
Minha mente —
território dividido —
ergue dois mundos diante dos meus olhos
e insiste que eu escolha
qual deles é real.
Mas a verdade é que ambos doem.
E então me pergunto:
será ilusão da mente
ou apenas criamos histórias
para que o coração sangre menos?
As emoções não pedem licença,
não seguem lógica,
não aceitam tradução.
Elas simplesmente chegam —
e mudam tudo de lugar.
É assustador perceber
como alguém pode,
em um instante breve,
se tornar o centro do seu universo…
e depois
virar só um nome
perdido na memória do tempo.
Promessas que pareciam eternas
se dissolvem
até caberem na indiferença
de um pensamento qualquer.
O que antes era suspiro
hoje é espanto:
como coube tanto sentimento
em um coração
que agora parece tão quieto?
Carrego, às vezes,
a estranha sensação
de viver duas vidas dentro da mesma pele —
uma guiada pelo amor,
outra, pela razão.
E entre elas
existe um abismo.
Olho para dentro
e encontro um vazio vasto,
daqueles que fazem eco.
Talvez nascido
de uma única escolha —
porque há decisões
que duram mais que o tempo.
Impressiona-me
como um segundo
tem o poder de desmontar destinos.
Certezas envelhecem rápido;
dúvidas, não.
Essas caminham conosco,
de mãos dadas com os anos.
Imagino se, na serenidade da velhice,
meus pensamentos ainda voltarão aqui —
não para reescrever a história,
mas para sussurrar:
“e se?”
Há um tipo silencioso de tristeza
em assistir ao futuro
escapar pelos dedos.
Tentamos segurar,
insistimos no controle,
mas lá no fundo
uma voz serena repete:
não há retorno.
Você já atravessou oceanos demais
para se permitir naufragar
em águas de incerteza.
Mesmo que o amor ainda exista —
amor, às vezes,
não é sinônimo de destino.
Sentimentos são como marés:
avançam, recuam,
reaprendem a partir.
Mas a felicidade…
ah, a felicidade talvez seja outra coisa.
Talvez seja inteireza.
Talvez seja paz.
Talvez seja encontrar alguém
cuja alma reconheça a sua
sem esforço —
como duas luzes
que não competem,
apenas brilham juntas.
E assim sigo,
entre o que sinto
e o que sei.
Porque no fim,
a pergunta permanece,
eterna e humana:
até onde devemos lutar pelo amor —
e em que momento
precisamos escolher a razão?