Cativeiro

Noétrico

Fui buscar respostas
não as encontrei.
Dentro de um grito surdo,
isolei-me.

Já não diferencio realidade de paranoia.
Não sei onde termina o meu eu:
há versões demais de mim.
Prometi formar-me sozinho
então segui uma estrada sem fim.

Em cada pensamento,
a morte se apresenta como sonho.
Em cada alternativa, o medo.
Medo de sair, de interagir,
de viver.
Medo de romper a bolha
que de tanto pressionada,
solidificou.

Errado.
Isso não é dúvida.
É certeza.

Se ao menos eu soubesse
metade das respostas
para as perguntas que me faço.
Tenho consciência de quem sou,
de onde estou —
sempre foi isso que busquei.

Mas e agora?
O que fazer com esse saber?
Como alterar a realidade
na qual estou contido?
Como ser além do que já sou?

Permaneço preso
nas correntes desta realidade.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 7 de fevereiro de 2026 20:14
  • Comentário do autor sobre o poema: Escrevi quando a consciência deixou de libertar e passou a conter. Não buscava saída, apenas não mentir para mim mesmo. O texto é só isso: um registro do limite. Nomear para não perder.
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 3


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