Fui buscar respostas
não as encontrei.
Dentro de um grito surdo,
isolei-me.
Já não diferencio realidade de paranoia.
Não sei onde termina o meu eu:
há versões demais de mim.
Prometi formar-me sozinho
então segui uma estrada sem fim.
Em cada pensamento,
a morte se apresenta como sonho.
Em cada alternativa, o medo.
Medo de sair, de interagir,
de viver.
Medo de romper a bolha
que de tanto pressionada,
solidificou.
Errado.
Isso não é dúvida.
É certeza.
Se ao menos eu soubesse
metade das respostas
para as perguntas que me faço.
Tenho consciência de quem sou,
de onde estou —
sempre foi isso que busquei.
Mas e agora?
O que fazer com esse saber?
Como alterar a realidade
na qual estou contido?
Como ser além do que já sou?
Permaneço preso
nas correntes desta realidade.