Nas forjas do caráter, onde o ferro é temperado,
Ergueu-se o homem firme, de espírito elevado.
Não buscava o aplauso, nem o ouro, nem a glória,
Mas escrever na rocha a retidão de sua história.
Estendeu a mão ao poço, onde o outro sucumbia,
Deu seu manto ao relento, sua própria luz ao dia;
Pois no código sagrado que o seu peito regia,
Negar socorro ao par era a pior heresia.
Mas a mão que foi salva não tardou em se fechar,
Transformando o apoio em punhal a golpear.
Ó, musa da amargura, vê como o justo padece!
Pois quem planta o trigo, por vezes, o joio merece? Não!
Mas o mundo tem dentes de um frio metal,
E a virtude, no lodo, é vista como um mal.
Ele agiu por respeito, por honra e por zelo,
Arrancou do destino o mais negro peselo
Para o outro salvar... e qual foi o tributo?
Um abraço de gelo, um silêncio absoluto.
A traição não é golpe que se cure com o tempo,
É vidro moído soprando no vento.
Ele sente o estilhaço, o partir do alicerce,
A alma que sangra enquanto o mundo adormece.
É o choque de ver que a sua própria bondade
Foi a ponte construída para a própria impiedade.
Pois o ingrato não tolera o peso do favor,
E converte a sua dívida em puro rancor.
Ergue-te, ó ferido, entre os cacos do que foste,
Ainda que a dor seja o teu mais alto poste.
Aprende a lição que o destino te escreve,
Com tinta de sangue e um peso que não é leve:
O agir com nobreza é um caminho solitário,
Onde o bem que tu fazes não tem um salário.
Pois a lei dos homens é falha e tortuosa,
E a alma do justo é sempre a mais perigosa.
Não espere que o mundo te devolva o reflexo,
Do caráter que guardas em teu íntimo nexo.
Fazer o que é certo é um ato de fé,
Mesmo que o outro te deixe de pé,
No meio da ruína, ferido e traído,
Pelo crime de ter, com honra, vivido.
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Autor:
Bardo de Ferro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de fevereiro de 2026 01:23
- Categoria: Amizade
- Visualizações: 1

Offline)
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