Eder Maurilio Soares

EstilhaƧos de Honra

Nas forjas do caráter, onde o ferro é temperado, 

Ergueu-se o homem firme, de espírito elevado. 

Não buscava o aplauso, nem o ouro, nem a glória, 

Mas escrever na rocha a retidão de sua história. 

Estendeu a mão ao poço, onde o outro sucumbia,

 Deu seu manto ao relento, sua própria luz ao dia; 

Pois no código sagrado que o seu peito regia, 

Negar socorro ao par era a pior heresia.

Mas a mão que foi salva não tardou em se fechar, 

Transformando o apoio em punhal a golpear.

Ó, musa da amargura, vê como o justo padece!

Pois quem planta o trigo, por vezes, o joio merece? Não! 

Mas o mundo tem dentes de um frio metal,

 E a virtude, no lodo, é vista como um mal. 

Ele agiu por respeito, por honra e por zelo,

 Arrancou do destino o mais negro peselo 

Para o outro salvar... e qual foi o tributo? 

Um abraço de gelo, um silêncio absoluto.

A traição não é golpe que se cure com o tempo,

 É vidro moído soprando no vento. 

Ele sente o estilhaço, o partir do alicerce, 

A alma que sangra enquanto o mundo adormece. 

É o choque de ver que a sua própria bondade 

Foi a ponte construída para a própria impiedade. 

Pois o ingrato não tolera o peso do favor,

 E converte a sua dívida em puro rancor.

Ergue-te, ó ferido, entre os cacos do que foste, 

Ainda que a dor seja o teu mais alto poste. 

Aprende a lição que o destino te escreve, 

Com tinta de sangue e um peso que não é leve:

O agir com nobreza é um caminho solitário, 

Onde o bem que tu fazes não tem um salário. 

Pois a lei dos homens é falha e tortuosa, 

E a alma do justo é sempre a mais perigosa.

Não espere que o mundo te devolva o reflexo, 

Do caráter que guardas em teu íntimo nexo. 

Fazer o que é certo é um ato de fé, 

Mesmo que o outro te deixe de pé, 

No meio da ruína, ferido e traído, 

Pelo crime de ter, com honra, vivido.