PÁRIA

João Diego Costa

Vuuuuh!

Sopra o vento,

Uma brisa quente e fétida.

E entre dunas de resíduos,

Vê-se uma ingênua criança.

Marginalizada e indefesa,

Não pediu para nascer.

 

Pobre menina!

Com os abutres,

Disputa um pé de galinha.

Qual será seu destino?

Não se sabe,

A fome fala mais alto,

Ruge na verdade.

 

É uma pária,

De um mundo morto,

Decaído e putrefeito.

Ela estava só,

Não tinha quem a quisesse,

Não tinha quem a amasse.

 

É como um animal,

Que esperança encontrar algo no lixo.

Talvez encontre;

Decepções, desprezo, crueldade…

Ou talvez encontre amor, paz…

E quem sabe… a felicidade.

  • Autor: João Diego Costa (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de fevereiro de 2026 22:22
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
  • Usuários favoritos deste poema: Shmuel
Comentários +

Comentários2

  • Shmuel

    Um poema que chama nossa atenção para um tema tão sensível.

    Abracos!

  • Viviane.93

    O poema é cru e direto, sem enfeite desnecessário. As imagens são fortes e doem , especialmente a criança disputando comida com abutres. O cenário apodrecido fica muito vivo, e o final, com essa esperança frágil, emociona justamente por não prometer nada. É daqueles textos que incomodam e ficam na cabeça. Achei muito bem escrito!!!



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