ELI, ELI, LAMÁ SABACTÂNI

Charles Araújo

 

ELI, ELI, LAMÁ SABACTÂNI

 

Olhei diante dos meus olhos

e vi homens que exterminam

em nome da Terra prometida.

 

Então elevei meus olhos

às colinas de Golam e perguntei:

onde se esconde o Deus da vida

quando o céu de Gaza em ruínas

não parece cúmplice,

mas sócio do inferno?

 

Será que o Deus que marchou

com os mocinhos na Normandia

esqueceu os desvalidos

nos becos de Varsóvia?

 

Estava Ele nas trincheiras da glória,

mas ausente nas câmaras do medo?

Escutou os hinos da vitória,

mas tapou os ouvidos

aos gritos sem testemunha?

 

Eli… Eli…

se ainda me ouves, responde:

és Deus dos que vencem

ou Pai também dos esmagados?

 

Porque se só habitas os palanques,

as bandeiras e os discursos,

então minha fé é um deserto

onde nem tua sombra passa.

 

Mas se ainda estás nas ruínas,

nos corpos esquecidos,

nos nomes apagados da História,

então ensina-me a crer

sem fechar os olhos.

 

Mesmo sangrando.

Mesmo duv

idando.

Mesmo gritando.

 

Lamá sabactâni?

 

  • Autor: C.araujo (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de fevereiro de 2026 09:27
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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