ELI, ELI, LAMÁ SABACTÂNI
Olhei diante dos meus olhos
e vi homens que exterminam
em nome da Terra prometida.
Então elevei meus olhos
às colinas de Golam e perguntei:
onde se esconde o Deus da vida
quando o céu de Gaza em ruínas
não parece cúmplice,
mas sócio do inferno?
Será que o Deus que marchou
com os mocinhos na Normandia
esqueceu os desvalidos
nos becos de Varsóvia?
Estava Ele nas trincheiras da glória,
mas ausente nas câmaras do medo?
Escutou os hinos da vitória,
mas tapou os ouvidos
aos gritos sem testemunha?
Eli… Eli…
se ainda me ouves, responde:
és Deus dos que vencem
ou Pai também dos esmagados?
Porque se só habitas os palanques,
as bandeiras e os discursos,
então minha fé é um deserto
onde nem tua sombra passa.
Mas se ainda estás nas ruínas,
nos corpos esquecidos,
nos nomes apagados da História,
então ensina-me a crer
sem fechar os olhos.
Mesmo sangrando.
Mesmo duv
idando.
Mesmo gritando.
Lamá sabactâni?