O Estranho que Habita
É estranho ser silêncio e tempestade,
um rio calmo que por dentro arde.
É estranho quando o mundo gira em festa
e você é o ponto fixo, a corda que protesta.
É estranho o vento, cúmplice discreto,
guardando segredos que nunca foram ditos.
É estranho querer tanto um abraço
e ao mesmo tempo erguer muros infinitos.
É estranho ver a lua em pleno dia,
um brilho deslocado, uma poesia tardia.
É estranho sorrir sem voz,
ser presença que não discute, apenas se constrói.
É estranho ter palavras afiadas,
mas deixá-las presas, amarradas.
É estranho o poder escorrendo pelos dedos,
como areia que não respeita segredos.
É estranho tornar-se sombra,
um desconhecido na memória de quem te fez luz.
É estranho perceber que virou um estranho para aquele que tenho deu a mão.
Estranho, sim, mas talvez necessário:
pois só o estranho nos mostra quem somos,
quando já não sabemos mais quem fomos.
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Autor:
Luare (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 1 de fevereiro de 2026 07:06
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 0

Offline)
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