Não nasceu.
Foi mantido.
Alguém repetiu até virar chão.
Outro aceitou até virar regra.
Ninguém perguntou se fazia sentido.
Funcionava.
O constructo não exige fé.
Ele exige hábito, organiza o passo,
define o horário,
diz quando começa
e quando termina
mesmo sem saber de quê.
Não é verdade.
É acordo antigo
que cansou de ser lembrado
como acordo.
Você vive dentro dele antes de saber falar.
Aprende a obedecer antes de escolher.
Quando tenta sair, não encontra muro.
Encontra custo.
Perde nome,
perde lugar,
perde chão.
E entende tarde demais:
o constructo não prende.
Ele sustenta
— e cobra por isso.
Mesmo quando você vê
que é frágil,
que é arbitrário,
que poderia ser outro,
ele fica.
Não se mantém por ser correto,
apenas por ser repetido.
Estável.
E você permanece mesmo sem acreditar,
apenas porque ainda não sabe onde pisar
sem ele.
O constructo não mente.
Ele se impõe.
E enquanto fizer isso,
é tido como realidade.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 31 de janeiro de 2026 14:46
- Comentário do autor sobre o poema: Escrevi isso para deixar claro que o problema não é a mentira, é a manutenção dela, é esquece a origem. O que nos prende não é o falso, é o que o sustenta enquanto cobra — e sair exige aprender a pisar sem chão, olhar além do mostrado.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 5

Offline)
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