Não nasceu.
Foi mantido.
Alguém repetiu até virar chão.
Outro aceitou até virar regra.
Ninguém perguntou se fazia sentido.
Funcionava.
O constructo não exige fé.
Ele exige hábito, organiza o passo,
define o horário,
diz quando começa
e quando termina
mesmo sem saber de quê.
Não é verdade.
É acordo antigo
que cansou de ser lembrado
como acordo.
Você vive dentro dele antes de saber falar.
Aprende a obedecer antes de escolher.
Quando tenta sair, não encontra muro.
Encontra custo.
Perde nome,
perde lugar,
perde chão.
E entende tarde demais:
o constructo não prende.
Ele sustenta
— e cobra por isso.
Mesmo quando você vê
que é frágil,
que é arbitrário,
que poderia ser outro,
ele fica.
Não se mantém por ser correto,
apenas por ser repetido.
Estável.
E você permanece mesmo sem acreditar,
apenas porque ainda não sabe onde pisar
sem ele.
O constructo não mente.
Ele se impõe.
E enquanto fizer isso,
é tido como realidade.