Em Pequenas Palavras

Brunna Keila

Em pequenas palavras

eu tento organizar o caos,

como quem arruma gavetas antigas

sabendo que algumas memórias ainda cortam os dedos.

Escrevo pequeno

porque o que sinto é grande demais.

Se eu abrir tudo de uma vez,

o peito transborda,

e eu aprendi a sobreviver

contendo enchentes por dentro.

Em pequenas palavras

eu falo de ausências que ficaram,

de promessas que não aprenderam a ficar,

de amores que passaram

deixando móveis fora do lugar.

Há dias em que o silêncio pesa toneladas,

então escrevo uma linha,

só uma,

para lembrar que ainda respiro.

Que mesmo cansada,

a alma insiste em ficar.

Em pequenas palavras

eu confesso medos que não digo em voz alta,

fragilidades que o mundo não perdoa,

e esperanças tímidas

que ainda batem na porta do amanhã.

Descobri que nem tudo precisa ser explicado.

Algumas dores só querem ser reconhecidas.

Algumas saudades só pedem

um lugar seguro para existir.

Em pequenas palavras

eu me reconstruo aos poucos,

como quem cola os próprios pedaços

com cuidado para não se ferir de novo.

Porque às vezes, Meu caro

não é o discurso que salva —

é a frase curta,

o verso simples,

o quase nada

que mantém o coração inteiro.

  • Autor: Brunna Keila (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de janeiro de 2026 22:32
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 2


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