O sol tem o sorriso de uma criança idiota que não sabe de nada além da felicidade
e se apresenta com uma pontualidade de tamanha educação que chega a ser cruel.
Eu queria que fosse noite para sempre, e quando acordasse, não me lembraria se
hoje já é amanhã ou se ontem sequer existiu, além do gosto de vômito regurgitado
e da vontade desesperada, mas inteiramente intermitente, de fazer algo da minha vida.
A lua desce e sobe como uma puta experiente, sem memória de qualquer glamour,
somente a reverberação mecânica de uma música cuja letra já perdeu o sentido.
Eu queria que fosse dia para sempre, e quando fosse dormir, me limparia de tudo
que me tocou, e poderia viver pulando por bueiros, me jogando aos gafanhotos,
baratas, lobos; sendo repartido igualmente por tudo e todos, sem me perder no final.
Eu caio, uma paródia de Ícaro, alguém que nunca saiu do chão e ainda consegue
cair. Eu levanto, indo a lugar nenhum.
-
Autor:
Marujo (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 30 de janeiro de 2026 02:43
- Categoria: Espiritual
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.