Abriste a porta e eu entrei.
Não me esperavas, bem sei…
Mas eu estava ali.
Na tua boca,
as palavras gaguejaram
pelas emoções que te afloraram.
Estavas linda…
E eu sorri.
Falei baixinho e confiante:
uma palavra, um instante,
e soube que esta noite
seria a tal.
Sobre as ancas flutuando,
a camisa esvoaçando
num bailado sexual,
a feminilidade te acentuava –
discreta e descarada,
serena e imoral.
Lá fora,
batia a chuva na janela,
e o vento, soprando nela,
por entre frestas uivava…
Cá dentro,
Silêncio.
Despi-te a blusa.
estavas tu meio confusa,
da verdade do amor meu…
Mas, em teus seios, os meus dedos
acordaram os segredos
que a razão te adormeceu.
Quando mais alto falaram
as caricias, que em tremores, te soltaram,
os desejos já não contidos,
da pele que se arrepiou
quando a respiração ofegou
entre profundos gemidos.
E alongaram-se meus dedos
no descer desses rochedos –
teus seios inchados.
Deslizando por teu ventre
até aflorarem docemente
teu segredo…
mais bem guardado.
Não sei se “uis!” se “ais!”
eram sentidos e reais,
por tão fundo de ti saídos…
Cavos, mudos, murmurados,
roucos sons apaixonados,
esses abafados gemidos.
Na janela, a chuva batia,
e o vento uivava em melodia,
a inveja de um momento…
Por apenas sonho não vivido,
só no silêncio construído,
no vazio deste…
apartamento.
-
Autor:
Francisco Ribeiro (
Offline) - Publicado: 29 de janeiro de 2026 13:34
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.