Eu já reclamei da segunda-feira
como quem acusa um crime antigo,
do céu que resolve chorar sem me avisar,
do vizinho que confunde volume com felicidade,
do espelho — esse crítico sem diploma —
e até de frases alheias
que nunca me pediram leitura.
Depois cansei.
Não por maturidade plena
(que isso ainda estou parcelando),
mas por perceber que a vida
não presta atenção nas minhas queixas:
ela continua passando,
educadamente surda.
Decidi, então, um acordo simples comigo:
guardar energia só para o que me faz bem.
O resto?
Deixo passar como propaganda de intervalo,
dessas que a gente vê
mas não compra.
Há coisas que ficam —
o afeto que insiste,
a memória que não desbota,
o riso que aparece fora de hora.
E há outras que são visita breve,
barulho emprestado,
incômodo provisório
que a gente leva sério demais.
Viver, descobri,
não é organizar o mundo,
é escolher onde pousar o coração.
Ignorar também é um gesto de sabedoria,
ainda que ninguém aplauda.
Então sigo:
menos queixa, mais cuidado,
menos peso, mais presença.
Aproveito a vida como posso —
com dúvidas no bolso,
um humor discreto nos lábios
e a leve suspeita
de que nem tudo precisa de resposta
para fazer sentido.
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Autor:
Bulaxa Kebrada (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de janeiro de 2026 00:17
- Comentário do autor sobre o poema: A vida não espera nossas reclamações; ela segue seu ritmo, indiferente aos nossos dramas. Aprender a escolher onde investir atenção é um ato de cuidado consigo mesmo, transformando pequenas irritações em ruído de fundo. O afeto, as memórias e os sorrisos inesperados são o que realmente ficam, e reconhecer isso traz leveza. Às vezes, ignorar é a forma mais sábia de proteger o coração, sem pressa de entender tudo. A vida ganha sentido quando deixamos de pesar o que não merece peso.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Luana Santahelena, Apegaua, Arthur Santos

Offline)
Comentários2
muito bom!
Espero que ignore esse comentário, coisa barata que usamos uma vez e o destino sempre e a lixeira.
Quando lemos alguma coisa que nos prende para se saber o final.
E por que gostamos e se gostamos e não se largar a soberba, nunca que diremos.
Bravos, por seu dito ter ultrapassado a linha da mesmice e me atraído, mesmo passando de raspão.
Mas com isso, não fique eufórica como poetisa, por que quem esta comentando, no site e um supra sumo de um nada.
Mas que reconhece o valor de uma gostosa e sincera inspiração.
Prazer.
AP,
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