Não importa se o tempo nos transforma,
Nem se a senda curva e nos aparta.
O que verdadeiramente nos conforma
É o sentir que a memória resguarda.
Seja flor do campo ou artificiosa,
Um traço, um bilhete, um olhar singelo...
Se brotou de gesto terno, virtuoso,
É dádiva que permanece belo.
Não pesa o valor que embala o afeto,
Tampouco a magnitude do ofertado —
Mas o amor sincero e discreto,
E o recado que o gesto tem deixado.
Ainda que o contato se esvaia,
E cada qual siga seu caminho,
Que o bem plantado não se desfaça,
Nem o puro amor vire só espinho.
Pois há vínculos que fogem à razão,
Mas enraízam-se no íntimo profundo.
E, mesmo consumidos pela ilusão,
Florescem eternos no silêncio do mundo.
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Autor:
J.Cast (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de janeiro de 2026 07:04
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Jérsia Alexandra Castelo Castanheta, Apegaua

Offline)
Comentários1
Dizem e eu também, que alcovitar e não jogar os sentimentos para fora.
E sentir calado toda dor sentida de uma paixão.
Mais que perfeito o dito.
Bravos poetisa.
AP.
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