O Banquete dos vermes

Poesia Abandonada

Sob o peso do silêncio e da terra revolvida, Onde a luz se apaga e a carne se despe de vida, Não há trombetas, anjos ou o brilho de um portal, Apenas o frio absoluto do reino mineral.

A promessa do jardim era um delírio febril, Um acalanto pálido para um destino vil. O paraíso é este chão, úmido e mudo, Onde o tempo se desfaz e o verme herda tudo.

Eles chegam sem pressa, em procissão voraz, Perfurando o que fui em busca de sua paz, não ha horror, Pois onde habita a ausência, morre o desejo.

A escuridão não é um véu, é a própria substância, Anulando a memória, a saudade e a distância. Não resta um "eu" para sentir a solidão, Apenas o vácuo pleno da decomposição.

Sem alma, sem medo, sem o peso do sentir, O nada é o único porto para onde se pode ir. A vida foi um ruído, um breve e vago clarão, E a morte é, enfim, a perfeita negação.

  • Autor: Poesia Abandonada (Online Online)
  • Publicado: 24 de janeiro de 2026 19:47
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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