Sob o peso do silêncio e da terra revolvida, Onde a luz se apaga e a carne se despe de vida, Não há trombetas, anjos ou o brilho de um portal, Apenas o frio absoluto do reino mineral.
A promessa do jardim era um delírio febril, Um acalanto pálido para um destino vil. O paraíso é este chão, úmido e mudo, Onde o tempo se desfaz e o verme herda tudo.
Eles chegam sem pressa, em procissão voraz, Perfurando o que fui em busca de sua paz, não ha horror, Pois onde habita a ausência, morre o desejo.
A escuridão não é um véu, é a própria substância, Anulando a memória, a saudade e a distância. Não resta um \"eu\" para sentir a solidão, Apenas o vácuo pleno da decomposição.
Sem alma, sem medo, sem o peso do sentir, O nada é o único porto para onde se pode ir. A vida foi um ruído, um breve e vago clarão, E a morte é, enfim, a perfeita negação.