A dama nasceu aprendendo a ouvir. O mundo sempre falou alto demais para ela. Diziam o que sentir, o que esperar, o que calar. Cresceu elegante no silêncio, como quem carrega porcelana por dentro: bonita, frágil, nunca tocada sem cuidado. Seu silêncio não era vazio — era defesa. Quem nunca teve voz aprende cedo que falar dói.
O vagabundo, ao contrário, falava com os olhos cansados e com os gestos tortos. Não sabia usar palavras bonitas, nem promessas bem passadas. Vinha da rua, do erro, da queda. Tinha voz demais, mas ninguém o escutava. Falava para sobreviver, não para ser entendido.
Quando se encontraram, não foi amor à primeira vista — foi reconhecimento.
Ele viu nela um silêncio que gritava.
Ela viu nele um barulho que pedia descanso.
A dama não ensinou o vagabundo a ser correto.
O vagabundo não ensinou a dama a ser livre.
Eles apenas ficaram. E isso já era muito.
Pela primeira vez, ela não precisou explicar por que estava quieta.
E ele, pela primeira vez, não precisou falar para existir.
Porque às vezes o amor não nasce da voz,
nasce de alguém
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Autor:
Brunna Keila (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 23 de janeiro de 2026 21:36
- Comentário do autor sobre o poema: Um dia me perguntaram por que eu estava tão quieta, mas como explicar o silêncio de quem nunca teve voz?
- Categoria: Conto
- Visualizações: 2

Offline)
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