O dia começa claro
e, sem aviso,
uma nuvem fecha o céu por dentro.
Não chove fora.
Chove onde ninguém vê.
Há instantes de sol aberto:
calor que se espalha,
vontade de ficar,
de tocar o mundo sem medo.
Tudo parece possível
por alguns minutos inteiros.
Depois, o vento vira.
O mesmo lugar já não serve.
O barulho cansa.
A luz pesa.
O corpo pede abrigo
do que antes procurava.
As mudanças não seguem relógio.
São como maré curta,
indo e voltando
no mesmo espaço de tempo.
O que era calma
vira ressaca.
O que era distância
logo chama de novo.
Nada é falso no movimento.
Cada estado é verdadeiro
enquanto dura.
O problema é que dura pouco
e tudo chega intenso demais
para ser contido.
Quem observa de perto
aprende a ler sinais no ar:
o olhar que escurece,
o silêncio que anuncia tempestade,
o retorno súbito do calor
como se nada tivesse passado.
Não é falta de centro.
É excesso de corrente.
Tudo se move rápido,
porque parar
seria afundar.
E assim o humor segue,
como tempo imprevisível:
não para destruir,
mas porque não sabe
ficar igual por muito tempo.
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Autor:
Andre Matheus (
Offline) - Publicado: 23 de janeiro de 2026 01:30
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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