É foda ter que encarar a vida
Essa torrente louca de sensações,
Acho que essa palavra “foda”
Não é boa para a poesia,
Que tem de se estéril e limpa
Como a onda suave que beija
A praia no fim da tarde,
Mesmo que neste exato momento
Um projétil mais quente que
O coração inocente
Que encontrou pelo caminho,
Faça resplandecer ao sol
Um mando vermelho de sangue.
Tem-se que medir as palavras
Para não causar comoções
Aos olhos sensíveis aos
Substantivos inapropriados,
E submetê-los aos bons costumes.
O barquinho vai deslizando
No imenso mar azul,
Enquanto a fome grita na calçada suja,
Enquanto a mão ossuda tenta alcançar
As migalhas duma lata de lixo
Antes de se elevarem aos céus segurando
Com força o pão sujo que encontraram,
Sob o olhar enfurecido duma barata
Que se banqueteava com ele.
O povo toma no cu,
Mas o problema são as palavras
Erradas numa poesia malfadada,
Porém mais nobre que as gravatas
Que os gaviões usam enquanto
Garantem os interesses de quem tem grana
Roubando os sonhos e a esperança
Enquanto higienizam costumes,
Estrumes em prato de porcelana.
-
Autor:
Well Calcagno (
Offline) - Publicado: 22 de janeiro de 2026 23:43
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.