O SILÊNCIO, E NADA MAIS

joaquim cesario de mello

 

Quando nada mais existir

nem nome

nem eco

nem a poeira cansada das coisas

 

Quando o céu

não mais precisar ser céu

e as palavras estiverem retiradas

e a dor do medo de acabar se for

porque o fim não mais se anunciará

 

Quando não mais houver

nenhuma memória

nenhum sonho

nenhum desejo

nenhum tempo a passar

o mundo, então, enfim

descansará de tentar significar

e se algo ainda restar a pulsar

é apenas o hábito do infinito continuar

 

Comentários +

Comentários1

  • Edla Marinho

    Boa noite, poeta Joaquim. Quando não houver mais sonho, nem memória... Ah! Como se viveria?
    Como sempre digo, seus versos são maravilhosos e reflexivos.
    Meu abraço!



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