joaquim cesario de mello

O SILÊNCIO, E NADA MAIS

 

Quando nada mais existir

nem nome

nem eco

nem a poeira cansada das coisas

 

Quando o céu

não mais precisar ser céu

e as palavras estiverem retiradas

e a dor do medo de acabar se for

porque o fim não mais se anunciará

 

Quando não mais houver

nenhuma memória

nenhum sonho

nenhum desejo

nenhum tempo a passar

o mundo, então, enfim

descansará de tentar significar

e se algo ainda restar a pulsar

é apenas o hábito do infinito continuar